Ainda faltam alguns meses para 2027, mas as decisões que determinarão os projetos do próximo ano já deveriam estar em discussão.
Para muitas empresas, o planejamento da inovação começa apenas quando surge uma demanda urgente, uma oportunidade de mercado ou um edital.
Nesse momento, as equipes tentam definir o projeto, reunir documentos, estimar custos e construir uma proposta dentro de um prazo que normalmente é curto.
O resultado é um processo apressado, com escolhas pouco estratégicas e projetos que poderiam ter sido mais bem preparados.
Se a empresa pretende desenvolver produtos, automatizar processos, adotar novas tecnologias ou acessar recursos de fomento em 2027, este é o momento de organizar essas intenções e transformá-las em um portfólio de projetos.
Por que começar o planejamento ainda em 2026?
Um projeto de inovação não nasce pronto.
Antes da execução, é necessário compreender o problema, avaliar sua relevância, estudar alternativas, identificar os desafios tecnológicos, estimar os investimentos e definir os resultados esperados.
Quando a empresa deixa essas decisões para o último momento, algumas perguntas importantes permanecem sem resposta:
- Qual problema o projeto resolverá?
- Existe um desafio tecnológico real?
- Qual impacto ele terá para o negócio?
- A empresa possui equipe e estrutura para executá-lo?
- Quais parceiros serão necessários?
- Quanto será preciso investir?
- Que tipo de recurso pode apoiar o desenvolvimento?
- O projeto está alinhado às prioridades da empresa?
Responder a essas questões antecipadamente permite tomar decisões melhores e aumenta a capacidade de aproveitar oportunidades de fomento.
O próprio BNDES orienta sua atuação para apoiar planos de inovação associados à estratégia corporativa e às tendências tecnológicas e competitivas dos setores.
Isso reforça que a inovação não deve ser tratada como uma iniciativa isolada, mas como parte do direcionamento do negócio.
Comece pelos problemas, não pelas ideias soltas
Um erro recorrente no planejamento é iniciar com uma lista de tecnologias que a empresa gostaria de adotar.
Inteligência artificial, automação, Internet das Coisas e novos materiais podem abrir oportunidades importantes, mas a tecnologia não deve ser o ponto de partida apenas porque está em evidência.
O primeiro passo é identificar problemas e oportunidades concretas, como:
- Etapas que limitam a produtividade;
- Processos com alto índice de desperdício;
- Custos que crescem continuamente;
- Produtos que precisam de novas funcionalidades;
- Demandas dos clientes ainda não atendidas;
- Riscos ambientais ou regulatórios;
- Atividades manuais que poderiam ser automatizadas;
- Tecnologias utilizadas por concorrentes;
- Conhecimentos que a empresa ainda não domina.
A partir desse diagnóstico, é possível avaliar quais desafios realmente exigem pesquisa, desenvolvimento ou adaptação tecnológica.
Organize um portfólio de projetos
Nem toda boa ideia deve ser executada imediatamente.
Por isso, o planejamento para 2027 precisa ir além da escolha de um único projeto.
O ideal é montar um portfólio com as principais possibilidades e compará-las com base em critérios objetivos.
Cada iniciativa pode ser analisada considerando:
- Alinhamento com a estratégia;
- Impacto esperado;
- Urgência;
- Grau de novidade;
- Risco tecnológico;
- Investimento necessário;
- Disponibilidade de equipe;
- Prazo de desenvolvimento;
- Potencial de geração de receita ou redução de custos;
- Possibilidade de acessar recursos externos.
Esse processo ajuda a separar iniciativas prioritárias de projetos que ainda precisam amadurecer.
Uma indústria pode identificar, por exemplo, três possibilidades para 2027: automatizar uma etapa produtiva, desenvolver um novo material e criar um sistema de monitoramento com inteligência artificial.
Talvez a automação gera retorno mais rápido, enquanto o novo material tenha maior risco tecnológico e potencial estratégico. O sistema de monitoramento pode depender de dados que ainda não estão organizados.
As três propostas são relevantes, mas provavelmente não estão prontas para começar ao mesmo tempo.
Estruture as informações básicas de cada projeto
Depois de definir as prioridades, a empresa deve criar uma primeira estrutura para cada projeto.
Não é necessário produzir imediatamente um documento extenso. O objetivo é reunir as informações que permitirão avaliar sua viabilidade e prepará-lo para futuras oportunidades.
Essa estrutura inicial deve responder:
Qual é o problema?
O problema precisa ser específico e mensurável. “Melhorar a produção” é amplo demais. “Reduzir as perdas de matéria-prima geradas pela falta de monitoramento em tempo real” oferece uma base mais clara.
Qual é a solução proposta?
A empresa deve indicar o que pretende desenvolver, testar ou implementar. Nesse momento, também é importante esclarecer o que ainda não está resolvido.
Onde está o desafio tecnológico?
Projetos de inovação precisam apresentar algum grau de incerteza. Se a solução já está pronta e exige apenas a compra de um equipamento convencional, talvez não exista um projeto de desenvolvimento tecnológico.
Quais resultados são esperados?
Os resultados podem envolver redução de custos, aumento de produtividade, criação de receita, diminuição de impactos ambientais, melhoria da qualidade ou entrada em novos mercados.
Quais recursos serão necessários?
É preciso estimar equipe, infraestrutura, equipamentos, serviços especializados, materiais e demais custos.
Quem participará?
A empresa deverá identificar as áreas internas envolvidas e avaliar se será necessária a parceria com universidades, ICTs, startups ou fornecedores tecnológicos.
Organize a documentação com antecedência
Quando uma oportunidade de fomento é aberta, o projeto não é o único item exigido.
As chamadas podem solicitar documentos fiscais, societários, contábeis, técnicos e financeiros. Dependendo do instrumento, também podem ser exigidas informações sobre faturamento, regularidade da empresa, capacidade de contrapartida, propriedade intelectual e experiência da equipe.
Se esses documentos estiverem desatualizados ou dispersos, a empresa perderá parte do prazo apenas tentando organizar informações básicas.
Até o final de 2026, vale revisar:
- Dados cadastrais e societários;
- Certidões e documentos de regularidade;
- Informações contábeis e financeiras;
- Currículos da equipe técnica;
- Registros de propriedade intelectual;
- Contratos ou intenções de parceria;
- Histórico de projetos;
- Orçamentos preliminares;
- Indicadores operacionais relacionados aos problemas identificados.
Mapeie oportunidades antes da abertura dos editais
Uma estratégia de fomento não deve depender exclusivamente da chegada de um novo edital.
A empresa pode acompanhar programas, áreas prioritárias, instituições financiadoras e modalidades que apresentam aderência ao seu setor. Esse mapeamento permite reconhecer padrões e entender quais projetos precisam ser preparados.
Entre as possibilidades estão chamadas de subvenção econômica, financiamentos para inovação, programas de cooperação com ICTs e instrumentos voltados a setores ou desafios específicos.
A Finep mantém uma página com as chamadas públicas abertas, enquanto instituições como BNDES e Embrapii disponibilizam linhas e modelos de apoio com diferentes formas de acesso.
Acompanhar essas oportunidades ajuda, mas o mais importante é saber o que a empresa deseja desenvolver. Sem essa clareza, qualquer edital pode parecer interessante e nenhum será verdadeiramente aderente.
Defina responsabilidades internas
O planejamento também precisa indicar quem será responsável por conduzir cada etapa.
Mesmo que a empresa conte com apoio especializado para mapear oportunidades e escrever a proposta, as decisões técnicas, estratégicas e financeiras dependem da participação da organização.
É importante envolver:
- Lideranças responsáveis pela estratégia;
- Equipe técnica que conhece o problema;
- Financeiro, para avaliar orçamento e contrapartida;
- Jurídico, quando houver contratos e propriedade intelectual;
- Responsáveis pela execução e pelo acompanhamento.
Essa articulação antecipada evita que o projeto fique concentrado em uma única pessoa ou que informações essenciais sejam solicitadas apenas no fim do prazo.
O edital não deve criar o projeto da empresa
Uma chamada pública pode ser uma excelente oportunidade, mas ela não deve obrigar a empresa a inventar uma iniciativa apenas para tentar acessar o recurso.
Os projetos mais consistentes são aqueles que já fazem sentido para o negócio e encontram em determinado instrumento uma forma de acelerar sua execução.
Quando o planejamento começa antes, a empresa pode selecionar oportunidades com mais critério, adaptar a proposta sem descaracterizá-la e decidir quando não vale a pena participar.
O projeto de 2027 começa em 2026
Planejar agora não significa prever todos os detalhes do próximo ano. Significa reduzir improvisos e construir uma base para decidir com mais segurança.
Até o fim de 2026, a empresa pode:
- Mapear problemas e oportunidades;
- Organizar um portfólio de projetos;
- Definir prioridades;
- Estruturar escopos preliminares;
- Estimar investimentos;
- Identificar parceiros;
- Organizar documentos;
- Mapear instrumentos de fomento.
Com esse trabalho, a organização chegará a 2027 com projetos mais maduros e maior capacidade de aproveitar os recursos disponíveis.
A FS Innovation ajuda empresas a transformar objetivos estratégicos em projetos estruturados e conectados às oportunidades de fomento.
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